19/07 - COMUNICAR ERRO
Que saudade, porra!
E agora, humoristas?
Ela morreu. Ela, que sempre nos foi um porto seguro quando nada mais funcionava, quando a platéia não colaborava, não ria de outras piadas: era só rogar seu nome, incluí-la na história, brincar com sua personalidade, sua força. Constatar, que às vezes, parecia ter brigado com a morte. O público sempre gostou. Riam, como se ela mesmo estivesse ali.
Mas ela se foi. Sem alarde, sem preparo, foi de improviso, como gostava. Como costumava soltar suas verdades. Não nos deu nenhum aviso, não ficou cambaleando, não anunciou que estava pra ir. E se foi, pro lugar que preparou com tanto carinho, durante anos, em sua terra natal. É pra lá que ela volta, agora pra ficar.
Talvez ela tenha xingado quando viu que agora não tinha volta. Ou talvez tenha entrado em acordo quando ela chegou: eu vou, mas fica por aí tudo que eu disse, tudo que eu fui, ficam por aí as pessoas que se divertiram comigo. Até porque não tem outro tipo de pessoa, e até aqueles mais incomodados com seu humor desbocado e debochado se divertiam quando ela falava o que pensava, da forma como falava.
Vai a atriz. Ficam os filmes, as chanchadas, os amigos, as homenagens.
Fica a lição, da garota pobre, abandonada pela mãe infiel, que desde cedo trabalhou duro, mas pra diversão dos outros, sempre. Foi bilheteira de cinema, se apresentava brincando com os hóspedes em hóteis, foi para o teatro, para a revista, para o outro lado da tela grande que lhe servia de ganha pão de ínicio. Dali nunca saiu. Do imaginário do povo, que as vezes à julgava, moralista, que às vezes à saudava, como enredo de carnaval.
Vai a humorista. A cantora, a vedete.
Vai ela, de verdade, espetacular, em família, livre, la mamma, a perereca, a baronesa. Deus nos Acuda, vai no samba, proibida, na folia, etelvina, desfiando verdades. Sai de baixo que ela vai, pela tela, pela praça.
O final é esse. Não tem segredo. É o final que ela merece.
QUE SAUDADE, PORRA!
Por Bruno Motta. Ele é humorista e colunista do NaTelinha.